Nível de descrição
Fundo
Código de Referência
AB
Título
Ângelo Bruhns
Datas e locais de nascimento e morte
Rio de Janeiro, Brasil 1896 - 1975
Biografia
Ângelo Bruhns foi um arquiteto cujas influências e produção evidenciam as múltiplas tendências latentes na arquitetura brasileira do início do século XX. Bruhns, que transitou por diferentes estilos de produção arquitetônica como era comum na época, não se limitou somente à construção civil, mas também dedicou-se à atuação institucional, ocupando diversas posições em instituições importantes, além de participar de comissões e concursos. Formou-se, em 1916, engenheiro-arquiteto pela Escola Nacional de Belas Artes (ENBA) no Rio de Janeiro. Já no início da carreira, Bruhns debruçou-se sobre as discussões acerca do Movimento Neocolonial, destacando-se como um expoente deste. Em uma época marcada por debates acerca da identidade nacional, este movimento era uma tentativa de afastar-se de influências estrangeiras em prol de uma arquitetura nacionalista. Bruhns chegou a participar de uma série de concursos, promovidos pelo principal mentor do movimento na cidade, José Marianno Filho, que fomentou a exploração da arquitetura colonial brasileira como fonte de inspiração, chegando a vencer um deles em 1923. Entretanto, por volta da década de 1930, aproximou-se mais da Nova Arquitetura (como a arquitetura moderna era designada à época), com seu projeto de um edifício residencial — que incluía cobertura verde e janelas corridas — publicado pela revista A Casa, em 1943. Um de seus projetos mais conhecidos é o da vila operária da Companhia Commercio e Navegação em Niterói (RJ). Neste projeto adaptou os conceitos do modelo urbanístico das Cidades-Jardim aplicados em cidades na Inglaterra e nos Estados Unidos. Este modelo buscou mesclar o bucolismo e qualidade de vida interiorana com os grandes serviços oferecidos pelos centros urbanos a fim de contornar a desordem das grandes cidades. Defendeu a ideia do arquiteto como agente indispensável, único profissional capaz de articular técnica e estética. Baseado neste ideal, em 1921, fundou, em parceria com outros vinte e seis arquitetos proeminentes na época, o Instituto Brasileiro de Architetos (posteriormente Instituto Central de Arquitetos e atual Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB). No exercício da arquitetura, Bruhns trabalhou entre 1925 e 1931 em sociedade com o arquiteto português José Cortez. Em 1928 ganham o concurso promovido pela Sociedade Brasileira de Belas Artes com o projeto do edifício da Escola Normal do Rio de Janeiro, atual Instituto de Educação (1927). Em 1930, após romper a sociedade com Cortez, Bruhns fundou seu próprio escritório, no qual desenvolveu projetos como o Edifício Willmann (1935), na cidade do Rio de Janeiro. Além de suas obras, Bruhns também movimentou-se em prol do exercício da arquitetura, tendo contribuído com o Decreto Federal 23.569 (1933), firmado por Getúlio Vargas, que regulamentou as profissões de arquitetos, engenheiros e agrimensores. Presidiu, entre 1932 e 1933, o Instituto Central de Arquitetos, além de ter integrado a Comissão do Plano da Cidade do Rio de Janeiro (1930) e a Comissão Consultiva de Urbanismo do Rio de Janeiro (1945).
Referências
BASTOS, Aline Gago Lorenzini. Trajetórias Profissionais de Arquitetos: registros a partir do acervo NPD/FAU/UFRJ. Orientadora: Prof.ª Drª. Maria Cristina Nascentes Cabral. 2023. Trabalho Final de Graduação (Graduação em Arquitetura e Urbanismo) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2023. CORREIA, Telma de Barros. O pitoresco no mundo industrial: Ângelo Bruhns e a vila operária para a Companhia de Commercio e Navegação. In: Revista Urbana CIEC/UNICAMP, Dossiê: Patrimônio Industrial; ano 3, n. 3, 2011. UFRJ. FAU. NPD. Fundo Ângelo Bruhns.